Claudia Soares Alves, uma médica neurologista de 42 anos, foi identificada como responsável pelo sequestro de uma bebê de apenas três horas de vida do HC-UFU (Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia), em Minas Gerais, na noite de terça-feira, 23. Ela foi presa na manhã de quarta-feira, 24, em Itumbiara (GO), localizada a aproximadamente 135 quilômetros do hospital, onde possui uma clínica.
Alves é graduada em Medicina pela UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro) e realizou sua pós-graduação na Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto), com especialização em Neurologia. Ela afirmava ser docente na UEG (Universidade Estadual de Goiás) há cinco anos e recentemente conseguiu uma vaga como professora na própria UFU, onde levou a bebê.
Em uma postagem em seu perfil no Instagram, Claudia destacou que ser neurologista vai além de diagnósticos e tratamentos, enfatizando a importância de fazer diferença na vida das pessoas. Ela compartilhou que compartilhar seu conhecimento com os futuros médicos é uma responsabilidade e uma fonte de alegria imensa. A interação com os alunos, incluindo perguntas desafiadoras, contribui para seu crescimento e aprendizado contínuos.
Na continuação da publicação, a neurologista celebrou sua aprovação como docente na UFU para os programas de Mestrado e Doutorado. Ela expressou entusiasmo por essa nova jornada, com novos rostos, histórias e desafios à frente, e está ansiosa para descobrir o que o futuro reserva. Claudia também mencionou ser mãe de um adolescente que está cursando o ensino médio.
Na noite de terça-feira, 23, Claudia Soares Alves compareceu ao Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (MG), localizado a aproximadamente 535 quilômetros da capital mineira, vestida como pediatra e usando um crachá da instituição. No quarto dos pais da recém-nascida, que tinha apenas três horas de vida, ela realizou uma falsa consulta, pegou a bebê no colo sob pretexto de alimentá-la e deixou o local.
Posteriormente, Claudia saiu do hospital carregando a criança em uma mochila amarela e entrou em um Toyota Corolla vermelho, conforme registrado por câmeras de segurança obtidas pelas autoridades.
Graças à cooperação entre as Polícias Civis de Goiás e Minas Gerais, juntamente com a Polícia Rodoviária Federal, foi descoberto que o veículo se dirigiu para Itumbiara, onde está localizada a clínica da suspeita. Uma foto capturada em um pedágio mostra Claudia dirigindo o veículo.
Segundo informações compartilhadas pela delegada Lia Valechi, da Delegacia da Mulher de Uberlândia, Claudia afirmou às autoridades que estava em surto. Antes de ser detida, ela deixou a bebê com uma funcionária da clínica na tentativa de fugir.
Dentro do Corolla da neurologista, autoridades em Goiás encontraram roupas de criança, sapatos e duas bolsas.
O Hospital das Clínicas da UFU, em contato com o site IstoÉ, relatou que “poucos momentos após o incidente, a equipe do hospital acionou a Polícia Militar de Uberlândia e forneceu as imagens das câmeras de segurança solicitadas pela polícia”.
Além disso, o HC-UFU informou que está colaborando integralmente com as investigações e iniciou uma investigação interna para entender todas as circunstâncias do ocorrido. A instituição declarou estar à disposição das autoridades e da família para resolver rapidamente o caso.
Em um comunicado adicional, o HC-UFU afirmou que já começou a apurar as responsabilidades e tomará todas as medidas necessárias. A instituição reiterou seu compromisso com a melhoria dos processos de trabalho e controle de acesso ao hospital.
Em uma nota enviada ao site IstoÉ, a Universidade Federal de Uberlândia se pronunciou sobre o incidente:
“A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) agradece às ações da Polícia Militar de Minas Gerais, Polícia Civil de Uberlândia e de Itumbiara, assim como dos servidores do Hospital de Clínicas de Uberlândia (HC-UFU/Ebserh), que resultaram no resgate seguro da criança recém-nascida que foi retirada das dependências da unidade de saúde na noite de terça-feira, 23 de julho. A UFU expressa sua solidariedade aos pais da bebê diante do sofrimento intenso causado e informa que está oferecendo todo o suporte necessário por meio de sua equipe do HC-UFU/Ebserh.
A acusada pelo crime, identificada pela Polícia Civil, é uma estudante regularmente matriculada no curso de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPCSA) da UFU e recentemente foi aprovada em concurso público e tomou posse como docente no curso de graduação em Medicina da Faculdade de Medicina da UFU.
A UFU tomará imediatamente as medidas administrativas necessárias e reafirma seu compromisso com a elucidação, apuração e responsabilização dos fatos ocorridos.

Conforme já informado pelo HC-UFU/Ebserh, os protocolos de segurança do paciente estão sendo revisados para aprimorar o atendimento e a segurança dos pacientes.”